segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A ARTE DE ENSINAR

Saber valorizar o aluno e orientá-lo no que for necessário

A missão do professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar com a mais nobre realidade do mundo: o coração e a inteligência do ser humano. Nada é mais importante do que o ser humano. Se é nobre e necessário dominar o aço e os microorganismos, construir casas e computadores, muito mais nobre é formar o homem, senhor de tudo isto. Os sábios gregos já diziam: “dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”
O jovem e frágil aluno de hoje, será o condutor da nação amanhã; o que for semeado hoje no seu coração, na sua mente e no seu espírito, será colhido amanhã pela sociedade. E o que o aluno espera de um Professor?
Em primeiro lugar que o professor seja honesto e honrado, exigências mínimas de quem carrega o título de mestre. Sabemos que o homem moderno está cansado de discursos, quer ver exemplos. O mestre romano Sêneca dizia que “de nada vale ensinar o que é a linha reta, se não ensinar o que é a retidão”.
Alguém já disse que o aluno só aprende com satisfação, quando o professor ensina com entusiasmo e sabe motivar o aluno. Sem isto o jovem não descobrirá a beleza da disciplina. É verdade que os alunos respeitam o professor que domina a matéria, mas isto ainda não é o suficiente. A primeira missão do professor é motivar para o aprendizado. “Um homem motivado vai à Lua, mas sem motivação não atravessa a rua”.
O aluno espera que o professor tenha paciência com ele que ainda não descobriu a beleza da matéria; tenha a humildade de não usar o seu conhecimento para humilhá-lo, e que não use do poder da avaliação para destruir a sua auto-estima. Ele quer ver o seu Professor fazer da Avaliação um momento, a mais, do aprendizado; elaboradas com equilíbrio, e corrigidas com esmero e justiça, sem fazer da prova uma guerra onde se cobra dele uma maturação na disciplina que ele ainda não teve tempo de alcançar.
O aluno espera que o professor prepare bem as aulas e que gaste tempo para se aprofundar na matéria. Sabemos que para ensinar bem, um pouco de uma disciplina, é preciso saber muito sobre ela. Quanto mais sabemos, mais os alunos gostam de nos ouvir. Nada pior para um aluno do que ter que assistir uma aula maçante, mau preparada, ministrada por alguém que não conhece o que ensina. É um grande desrespeito... para não dizer um crime.
O aluno espera que o professor ensine com didática, competência e clareza; tenha pontualidade de horário, apresentação adequada e saiba dominar a classe com liderança.
Ele quer ver o professor como um amigo que o trata com respeito, confiança, atenção e cordialidade; interessado em tirar as suas dúvidas e a apontar-lhes caminhos novos...
Por dever de consciência, cada professor tem que dar o melhor de si para a boa formação dos jovens. Aí estará, inclusive, a sua maior realização; para a pessoa honesta, é no bojo da virtude que ela encontra a verdadeira recompensa.
Cito algumas recomendações pedagógicas para o bom desempenho de um Professor(a):
1.Saber motivar os alunos para o que vai ensinar.
2.Dominar a matéria e atualizar-se.
3.Preparar bem as aulas.
4.Expor a matéria com clareza, ordem e seqüência lógica.
5.Preparar, aplicar e corrigir as avaliações e provas com esmero, equilíbrio e justiça.
6.Ser assíduo, pontual e bem apresentado.
7.Tratar todos os alunos com respeito, atenção e cordialidade, sem com isto confundir as funções de cada um.
8.Manter a disciplina na classe.
9.Atender bem os alunos e tirar suas dúvidas, seja em classe ou fora dela.
10.Saber valorizar o aluno e orientá-lo no que for necessário.
É no banco da Escola que se formam os homens e as mulheres que um dia exercerão o poder, e conduzirão a História, nas mais variadas atividades e organizações. Muitos já disseram que “as palavras têm mais força do que os canhões”. Esta é a nobre missão: formar a juventude, não só no aspecto científico e técnico, mas também – e principalmente – no aspecto humano, moral e ético. Sem a primazia da pessoa sobre a coisa, da moral sobre a ciência e da ética sobre a técnica, a humanidade corre sérios riscos, como pudemos ver pelas desastradas guerras e morticínios do recém encerrado século XX. O mundo, sem dúvida, encontra-se diante de uma encruzilhada, e o bom caminho a seguir só poderá ser discernido pelo bom entendimento da ciência com a moral. E isto depende de dos professores.

Felipe Aquinofelipeaquino@cancaonova.comProf.
Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP.
É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II.

O preconceito contra quem não trabalha fora



Menosprezar o TER e investir no SER incomoda muita gente...
Há preconceitos de todo tipo no mundo. Para todos os gostos, ou melhor, desgostos. Mulheres e negros estão entre as principais vítimas e são alvo de piadas por causa disso. Um tipo de discriminação, porém, alastra-se como uma neblina densa que envolve a todos, mas que poucos querem notar. É o preconceito econômico.


Você pode senti-lo explicitamente se for a um shopping center sofisticado sem uma roupa de uma grande grife. Sobretudo as mulheres vão olhá-lo com desaprovação de cima a baixo como se fizessem um raio-x do seu cabelo até o dedão do pé, para deixar claro que você não está adequado. Já passou por esse embaraço? Outro modo de experimentar esse tipo de preconceito é ficar desempregado. Principalmente se for por opção, como no meu caso. Ao me casar e escolher cuidar da casa (com tudo o que isso envolve: varrer, lustrar, lavar, passar, cozinhar) sinto na pele e nos ossos como as pessoas estão incomodadas e me atacam – o verbo é este mesmo: atacar.


Uma conhecida minha me chamou zombeteiramente de “doméstica”. Tempos depois, decidiu me agredir dizendo que “ser dona-de-casa emburrece”. Outra conhecida afirmou, entre risos, que estou com “a vida que toda mulher pediu a Deus”, insinuando que vivo sem fazer nada, sustentada pelo marido. Uma terceira garantiu que não tenho do que me orgulhar por não trabalhar fora, que minha situação não é nada invejável. Noutro dia, ela me perguntou sem cerimônia: “Você não sente falta de ter o seu próprio dinheiro não?”. O que já tive de ouvir em pouco mais de 1 ano como dona-de-casa – eu era jornalista profissional – infelizmente não para por aí. Também fui taxada de “imprestável”, “inútil”, “fracassada”...


Fiz o caminho inverso em pleno século XXI: há 50, 60 anos atrás, uma mulher era xingada de tudo quanto era nome se virasse para os pais ou o marido e dissesse: “Vou trabalhar fora e ganhar o meu próprio dinheiro”. Hoje, optar por ficar em casa é um escândalo. Alguém que faz isso só pode ser louca ou “vagabunda” mesmo. E por que tanta celeuma? Caro internauta: porque para a nossa sociedade, quem não executa uma atividade remunerada, quem não produz algo que gere dinheiro, não vale nada. Tristemente, eu posso assegurar pra você que pro “mundão” não importa as suas conquistas emocionais nem espirituais, mas o TER, TER, TER.


Casei-me também há pouco mais de 1 ano e a preocupação dos outros é quando vamos começar a “construir o nosso patrimônio” e adquirir o primeiro imóvel. Já ouvi alguém dizer: “Fulano e beltrana”, referindo-se a um casal, “Estão bem, compraram um carro novo, um apartamento próprio...”. A ironia? Alguns anos se passaram e o fulano e a beltrana se separaram.


Pois a primeira coisa que levei para o apartamento onde vivo com meu marido foi um quadro de Jesus Misericordioso, que coloquei na sala-de-estar. Para mim, o verdadeiro progresso é o que se faz no RITMO de Deus. No COMPASSO de um café-da-manhã tomado a dois, depois de ler a Bíblia conforme a liturgia diária, na BATIDA que embala a luta incessante de vencer as más tendências, na HARMONIA alcançada através do dar e do pedir perdão. A habilidade de superar os desentendimentos, refrear o orgulho e domesticar o egoísmo, isso sim, é que deve demonstrar que um casal está “indo bem”, e não as aquisições materiais.


Conviver com o preconceito econômico e não me deixar abater por ele é um dos desafios da minha vida de dona-de-casa e recém-casada. Quando fico chateada com os comentários e a pressão dos outros e penso em desistir, olho para o quadro na minha sala-de-estar e digo para mim mesma: “Jesus eu confio em vós”.


Ana Paula Morais de Camargo, ex-jornalista, dona-de-casa e sócia evangelizadora