segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A ARTE DE ENSINAR

Saber valorizar o aluno e orientá-lo no que for necessário

A missão do professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar com a mais nobre realidade do mundo: o coração e a inteligência do ser humano. Nada é mais importante do que o ser humano. Se é nobre e necessário dominar o aço e os microorganismos, construir casas e computadores, muito mais nobre é formar o homem, senhor de tudo isto. Os sábios gregos já diziam: “dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”
O jovem e frágil aluno de hoje, será o condutor da nação amanhã; o que for semeado hoje no seu coração, na sua mente e no seu espírito, será colhido amanhã pela sociedade. E o que o aluno espera de um Professor?
Em primeiro lugar que o professor seja honesto e honrado, exigências mínimas de quem carrega o título de mestre. Sabemos que o homem moderno está cansado de discursos, quer ver exemplos. O mestre romano Sêneca dizia que “de nada vale ensinar o que é a linha reta, se não ensinar o que é a retidão”.
Alguém já disse que o aluno só aprende com satisfação, quando o professor ensina com entusiasmo e sabe motivar o aluno. Sem isto o jovem não descobrirá a beleza da disciplina. É verdade que os alunos respeitam o professor que domina a matéria, mas isto ainda não é o suficiente. A primeira missão do professor é motivar para o aprendizado. “Um homem motivado vai à Lua, mas sem motivação não atravessa a rua”.
O aluno espera que o professor tenha paciência com ele que ainda não descobriu a beleza da matéria; tenha a humildade de não usar o seu conhecimento para humilhá-lo, e que não use do poder da avaliação para destruir a sua auto-estima. Ele quer ver o seu Professor fazer da Avaliação um momento, a mais, do aprendizado; elaboradas com equilíbrio, e corrigidas com esmero e justiça, sem fazer da prova uma guerra onde se cobra dele uma maturação na disciplina que ele ainda não teve tempo de alcançar.
O aluno espera que o professor prepare bem as aulas e que gaste tempo para se aprofundar na matéria. Sabemos que para ensinar bem, um pouco de uma disciplina, é preciso saber muito sobre ela. Quanto mais sabemos, mais os alunos gostam de nos ouvir. Nada pior para um aluno do que ter que assistir uma aula maçante, mau preparada, ministrada por alguém que não conhece o que ensina. É um grande desrespeito... para não dizer um crime.
O aluno espera que o professor ensine com didática, competência e clareza; tenha pontualidade de horário, apresentação adequada e saiba dominar a classe com liderança.
Ele quer ver o professor como um amigo que o trata com respeito, confiança, atenção e cordialidade; interessado em tirar as suas dúvidas e a apontar-lhes caminhos novos...
Por dever de consciência, cada professor tem que dar o melhor de si para a boa formação dos jovens. Aí estará, inclusive, a sua maior realização; para a pessoa honesta, é no bojo da virtude que ela encontra a verdadeira recompensa.
Cito algumas recomendações pedagógicas para o bom desempenho de um Professor(a):
1.Saber motivar os alunos para o que vai ensinar.
2.Dominar a matéria e atualizar-se.
3.Preparar bem as aulas.
4.Expor a matéria com clareza, ordem e seqüência lógica.
5.Preparar, aplicar e corrigir as avaliações e provas com esmero, equilíbrio e justiça.
6.Ser assíduo, pontual e bem apresentado.
7.Tratar todos os alunos com respeito, atenção e cordialidade, sem com isto confundir as funções de cada um.
8.Manter a disciplina na classe.
9.Atender bem os alunos e tirar suas dúvidas, seja em classe ou fora dela.
10.Saber valorizar o aluno e orientá-lo no que for necessário.
É no banco da Escola que se formam os homens e as mulheres que um dia exercerão o poder, e conduzirão a História, nas mais variadas atividades e organizações. Muitos já disseram que “as palavras têm mais força do que os canhões”. Esta é a nobre missão: formar a juventude, não só no aspecto científico e técnico, mas também – e principalmente – no aspecto humano, moral e ético. Sem a primazia da pessoa sobre a coisa, da moral sobre a ciência e da ética sobre a técnica, a humanidade corre sérios riscos, como pudemos ver pelas desastradas guerras e morticínios do recém encerrado século XX. O mundo, sem dúvida, encontra-se diante de uma encruzilhada, e o bom caminho a seguir só poderá ser discernido pelo bom entendimento da ciência com a moral. E isto depende de dos professores.

Felipe Aquinofelipeaquino@cancaonova.comProf.
Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP.
É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II.

O preconceito contra quem não trabalha fora



Menosprezar o TER e investir no SER incomoda muita gente...
Há preconceitos de todo tipo no mundo. Para todos os gostos, ou melhor, desgostos. Mulheres e negros estão entre as principais vítimas e são alvo de piadas por causa disso. Um tipo de discriminação, porém, alastra-se como uma neblina densa que envolve a todos, mas que poucos querem notar. É o preconceito econômico.


Você pode senti-lo explicitamente se for a um shopping center sofisticado sem uma roupa de uma grande grife. Sobretudo as mulheres vão olhá-lo com desaprovação de cima a baixo como se fizessem um raio-x do seu cabelo até o dedão do pé, para deixar claro que você não está adequado. Já passou por esse embaraço? Outro modo de experimentar esse tipo de preconceito é ficar desempregado. Principalmente se for por opção, como no meu caso. Ao me casar e escolher cuidar da casa (com tudo o que isso envolve: varrer, lustrar, lavar, passar, cozinhar) sinto na pele e nos ossos como as pessoas estão incomodadas e me atacam – o verbo é este mesmo: atacar.


Uma conhecida minha me chamou zombeteiramente de “doméstica”. Tempos depois, decidiu me agredir dizendo que “ser dona-de-casa emburrece”. Outra conhecida afirmou, entre risos, que estou com “a vida que toda mulher pediu a Deus”, insinuando que vivo sem fazer nada, sustentada pelo marido. Uma terceira garantiu que não tenho do que me orgulhar por não trabalhar fora, que minha situação não é nada invejável. Noutro dia, ela me perguntou sem cerimônia: “Você não sente falta de ter o seu próprio dinheiro não?”. O que já tive de ouvir em pouco mais de 1 ano como dona-de-casa – eu era jornalista profissional – infelizmente não para por aí. Também fui taxada de “imprestável”, “inútil”, “fracassada”...


Fiz o caminho inverso em pleno século XXI: há 50, 60 anos atrás, uma mulher era xingada de tudo quanto era nome se virasse para os pais ou o marido e dissesse: “Vou trabalhar fora e ganhar o meu próprio dinheiro”. Hoje, optar por ficar em casa é um escândalo. Alguém que faz isso só pode ser louca ou “vagabunda” mesmo. E por que tanta celeuma? Caro internauta: porque para a nossa sociedade, quem não executa uma atividade remunerada, quem não produz algo que gere dinheiro, não vale nada. Tristemente, eu posso assegurar pra você que pro “mundão” não importa as suas conquistas emocionais nem espirituais, mas o TER, TER, TER.


Casei-me também há pouco mais de 1 ano e a preocupação dos outros é quando vamos começar a “construir o nosso patrimônio” e adquirir o primeiro imóvel. Já ouvi alguém dizer: “Fulano e beltrana”, referindo-se a um casal, “Estão bem, compraram um carro novo, um apartamento próprio...”. A ironia? Alguns anos se passaram e o fulano e a beltrana se separaram.


Pois a primeira coisa que levei para o apartamento onde vivo com meu marido foi um quadro de Jesus Misericordioso, que coloquei na sala-de-estar. Para mim, o verdadeiro progresso é o que se faz no RITMO de Deus. No COMPASSO de um café-da-manhã tomado a dois, depois de ler a Bíblia conforme a liturgia diária, na BATIDA que embala a luta incessante de vencer as más tendências, na HARMONIA alcançada através do dar e do pedir perdão. A habilidade de superar os desentendimentos, refrear o orgulho e domesticar o egoísmo, isso sim, é que deve demonstrar que um casal está “indo bem”, e não as aquisições materiais.


Conviver com o preconceito econômico e não me deixar abater por ele é um dos desafios da minha vida de dona-de-casa e recém-casada. Quando fico chateada com os comentários e a pressão dos outros e penso em desistir, olho para o quadro na minha sala-de-estar e digo para mim mesma: “Jesus eu confio em vós”.


Ana Paula Morais de Camargo, ex-jornalista, dona-de-casa e sócia evangelizadora

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A inteligência coletiva


Pierre Lévy
O que vem à sua mente ao ler a expressão inteligência coletiva? Se a resposta foi algo parecido com um cérebro gigante, capaz de tomar decisões a partir do conhecimento adquirido e compartilhado por diversas pessoas, não está muito distante da teoria do pesquisador e escritor francês Pierre Lévy. Trata–se, sem dúvida, de uma interpretação peculiar. Mas, simbolicamente, é isso mesmo.Porém, o escritor deixou claro que a IC não é só isso: “ela só progride quando há cooperação e competição ao mesmo tempo”. Para exemplificar, Lévy citou a comunidade científica, capaz de trocar idéias (= cooperar) porque tem a liberdade de confrontar pensamentos opostos (= competir) e, assim, gerar conhecimento. “É do equilíbrio entre a cooperação e a competição que nasce a IC”, concluiu, deixando claro que não são apenas os cientistas que utilizam esse novo conceito: “as empresas necessitam cada vez mais de empregados que precisam lançar idéias e resolver questões coletivamente. As tecnologias atuais permitem isso”.Um exemplo? Para Lévy, a inteligência coletiva pode ser dividida em inteligência técnica, conceitual e emocional. A primeira corresponde à inteligência que lida com o mundo concreto e dos objetos, como a engenharia (coisa). A seguinte relaciona–se ao conhecimento abstrato e que não incide sobre a materialidade física, como as artes e a matemática (signo). A última, por sua vez, representa a relação entre os seres humanos e o grau de paixão, confiança e sinceridade que a envolve, e tem a ver com o direito, a ética e a moral (cognição).
Porém, a melhor ilustração da tríade de Peirce fica por conta da economia da informação descrita por Lévy. Segundo o conferencista, no mundo atual as idéias são o capital mais importante, e que só pode ser adquirido quando as pessoas pensam em conjunto. Para isso, é necessária a produção de três capitais:
(1) o técnico, que vai dar suporte estrutural à construção das idéias e pode ser exemplificado pelas estradas, prédios, meios de comunicação (coisa);
(2) o cultural, mais abstrato, representado pelo conhecimento registrado em livros, enciclopédias, na World Wide Web (signo);
(3) o social, que corresponde ao vínculo entre as pessoas e grau de cooperação entre elas (cognição).
O capital técnico gera as condições necessárias para a disseminação dos capitais cultural e social que, por sua vez, criam o capital intelectual, ou seja, todas as idéias inventadas e depreendidas pela população e que, uma vez expostas, passam ao domínio público. Esse capital, enfim, é o núcleo de toda a inteligência coletiva. E por que não um aprofundamento coletivo? Cada universidade poderia estudar uma das áreas citadas e, depois, reunir os resultados obtidos das outras instituições e alcançar conclusões. Ou seja, o destino é esse mesmo. Usar a internet e as tecnologias atuais para a difusão e troca do conhecimento, de forma que cada um possa contribuir, do seu canto, no seu tempo, com sua idéia, com seu pensamento, com seu ponto de vista. Assim, será possível construir uma sociedade melhor planejada e, levando ao pé da letra, melhor pensada. Esse caminho pode até não ser seguido. No mínimo, deveria.

É TEMPO DE OLHAR AS FLORES


É tempo...
É tempo de olhar as flores
Contemplar o colorido da natureza
A riqueza do pôr-do-sol
Meio rosa, azul e laranja...
Fazendo festa para a noite que chega
É tempo de olhar o mar
Mesmo que a noite esteja mais escura que nunca
E que não haja uma estrela sequer brilhando
O vento que sopra parece que vem de dentro da alma
É tempo de arar a terra
Tirar as ervas daninhas
Limpar o jardim e semear
É tempo de regar as plantas que já cresceram
E colher os frutos que vieram
Mais abundantes que nunca
A parreira esta carregada...
É tempo de ouvir o canto dos bem-te-vis
Sentir o cheiro do manacá
E ficar minutos contemplando as rosas
E nisso tudo contemplar Deus
Artista maior, que compôs, pintou e criou
Tudo isso para que eu tivesse esse tempo
E os momentos únicos
De conversa silenciosa
Entre Deus e eu.


Graça Maria (Comunidade Canção Nova)

Barulho excessivo está entre as principais causas da surdez infantil

O problema da surdez na infância tem crescido no mundo todo. Uma das causas é o excesso de barulho. Para prevenir, os especialistas estão recomendando aos pais que imponham limites aos filhos no uso de brinquedos barulhentos, fones de ouvido, volume do som e uso do MP3. A surdez infantil será um dos temas abordados no II Congresso Capixaba de Otorrinolaringologia, nos dias 18 e 19 de setembro, no Hotel Ilha do Boi, devendo reunir cerca de 150 participantes, entre médicos, fonoaudiólogos e acadêmicos e especialistas renomados no país.
Pesquisas realizadas pelo Instituto de Audição das Crianças apontam que um terço da perda de audição entre crianças e jovens adultos é provocado pelo barulho. A Academia Americana de Audiologia também revela que a cada oito crianças uma tem perda de audição devido à poluição sonora.
A perda de audição por barulho pode acontecer devido a uma breve exposição a som muito alto ou ainda a partir da exposição constante a sons moderados. Por isso, a preocupação com os efeitos duradouros de MP3, fones de ouvido e outros aparelhos de som pessoais.
Os problemas auditivos na infância desencadeiam várias consequências, prejudicando a socialização da criança, a linguagem oral e escrita, a formação psicológica e o desempenho escolar.
A poluição sonora também contribui para o desenvolvimento de problemas auditivos, devido à emissão de sons sem o menor controle, bombardeando crianças, jovens, adultos e idosos: carros, sirenes, alto-falantes, televisões, campainhas, liquidificadores, alarmes, motocicletas, além da música em altíssimo volume nos shows, bares, festas e eventos esportivos.
Outro agravante é o diagnóstico tardio da deficiência auditiva, independente de ela ter sido ou não causada pelo barulho. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 15 milhões de pessoas sofrem de problemas auditivos no Brasil, por causas diversas. Desse total, em média, 350 mil não têm qualquer percepção auditiva. A maioria dos casos começa na infância e deixa de ser solucionada por falta de diagnóstico e tratamento precoces.
Em muitas situações, é possível reverter o quadro se o tratamento for feito antes dos seis primeiros meses de vida. Porém, no Brasil, o diagnóstico acontece em média em torno de quatro anos de idade, quando o desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança já está comprometido.
Além desse tema, o Congresso de Otorrinolaringologia também discutirá formas de prevenção e avanços no tratamento de manifestações de outras diversas doenças que acometem ouvido, nariz e garganta. O evento será promovido pela Associação de Otorrinolaringologia do Espírito Santo (ASSORLES).
Fonte: http://www.eshoje.com.br em 15 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

FAVENI sobe para 9º lugar no ranking das faculdades capixabas



"Estamos honrados em compartilharmos enquanto alunos juntamente com a família FAVENI deste momento ímpar de crescimento. Entendemos que a proposta da FAVENI é ser um diferencial na construção de uma sociedade consciente e capaz. Caminhamos lado a lado no objetivo de contribuir para uma sociedade mais consciente, justa e capaz". (Elaine, Josilaine, Luiz e Raquel)


Entre as faculdades localizadas fora da Grande Vitória, a FAVENI é a 3° melhor colocada do Estado A Faculdade Venda Nova do Imigrante- FAVENI comprova sua qualidade e seu compromisso com a educação, sendo destaque entre instituições de ensino superior do Espírito Santo. De 11ª colocada no ano anterior, subiu para a 9ª posição entre as faculdades particulares capixabas, de acordo com o índice Geral de Cursos (IGC), critério utilizado pelo Ministério da Educação (MEC) para monitorar a qualidade do ensino universitário no país. Vale destacar também que, entre as faculdades localizadas fora da Grande Vitória, a FAVENI é a 3° melhor colocada. A FAVENI teve os dois cursos avaliados (administração e pedagogia) e obteve 258 pontos de ICG contínuo. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (31 de agosto). Mais uma vez a faculdade saiu na frente de outras instituições de ensino superior da Região Serrana e tradicionais da Grande Vitória. Ao todo, foram avaliadas 73 instituições no Espírito Santo. Onze instituições do Estado não obtiveram nenhum conceito. O IGC de cada instituição resume a qualidade de cursos de graduação, mestrado e doutorado, distribuídos pelos vários campi da instituição. São utilizados no cálculo do indicador a média dos Conceitos Preliminares de Curso (CPCs) da instituição - componente relativo à graduação - e o conceito fixado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a pós-graduação. A média dos conceitos dos cursos é ponderada pela distribuição dos alunos entre os diferentes níveis de ensino (graduação, mestrado e doutorado). A direção da FAVENI credita a boa posição ao melhoramento da titulação de professores e ao bom desempenho dos alunos no Enade. Mais uma vez diretores, professores e coordenadores comemoram esta conquista, na certeza de que outras boas notícias virão.


Como se manter equilibrado?

Ricardo Sá
Quando alguém caminha numa corda bamba sabe que, cá e lá, é preciso dar uma paradinha, para que consiga retomar o equilíbrio e continuar. É exatamente o que não estamos acostumados a fazer: parar! Parar para respirar, saber onde vamos pôr os pés, alinhar a postura, concentrar-se no objetivo ou quem sabe retomá-lo. Na verdade, o estímulo mundano nos faz seguir de qualquer forma. Sei que é uma opção difícil; sei também que, por isso, nem todo o mundo tem coragem de parar. É... parar exige coragem e, talvez, seja exatamente o que você precisa fazer para não seguir de qualquer forma!


Vigiar e Punir, O Panóptico de Michel Foucault


A punição e a vigilância são poderes destinados a educar (adestrar) as pessoas para que essas cumpram normas, leis e exercícios de acordo com a vontade de quem detêm o poder. A
vigilância é uma maneira de se observar à pessoa, se esta está realmente cumprindo com todos seus deveres – é um poder que atinge os corpos dos indivíduos, seus gestos, seus discursos, suas atividades, sua aprendizagem, sua vida cotidiana. A vigilância tem como função evitar que algo contrário ao poder aconteça e busca regulamentar a vida das pessoas para que estas exerçam suas atividades. Já a punição é o meio encontrado pelo poder para tentar corrigir as pessoas que infligem as regras ditadas pelo poder e ela também é o meio ilidir que essas pessoas cometam condutas puníveis (através da punição as pessoas terão receio de cometer algo contrário às normas do poder). A vigilância e a punição podem ser encontradas em várias entidades estatais, como hospitais, prisões e escolas. Foi criado até um sistema chamado panoptico para facilitar nessa vigilância, nesse sistema haveria uma torre central a qual avistaria, vigiaria todos de uma só vez que estão a sua volta já que essa estrutura a volta da torre central era circular. “O panóptico de Jeremy Bentham é uma composição arquitetônica de cunho coercitivo e disciplinatório: possui o formato de um anel onde fica a construção à periferia, dividida em celas tendo ao centro uma torre com duas vastas janelas que se abrem ao seu interior e outra única para o exterior permitindo que a luz atravesse a cela de lado...” (Michel Foucault - Micro-Física do Poder) A relação entre vigiar e punir está no fato de que com ela seria possível “adestrar” as pessoas para que estas exercessem suas tarefas como bons cidadãos, evitar o máximo que as pessoas infringissem as normas estabelecidas pelo poder, estas idéias podem ser retiradas do livro “VIGIAR E PUNIR”. Segundo Foucault para economia do poder seria mais rentável e mais eficaz vigiar do que punir. Isso pode ser facilmente observado se pegarmos o panoptismo como exemplo, pois é muito mais barato vigiarmos as pessoas para que estas não infrinjam as leis, do que posteriormente puni-las, pois na punição terá que ser gasto muito dinheiro para que a pessoa que infringiu a lei seja resociabilizada (reeducado). Além disso, com o sistema panóptico a vigilância fica ainda mais fácil, já que é possível vigiar várias pessoas ao mesmo tempo e com a punição para que esta alcance mesmo seu objetivo ela tem que ser aplicada de maneira individual – pois cada um tem uma maneira diferente de serem reeducado e resociabilizado. Ainda podemos dizer que a vigilância ganhou espaço na economia do poder, pois é muito mais fácil vigiar as pessoas para ver se estas estão mesmo cumprindo suas funções, e com o panoptismo isso fica ainda mais fácil principalmente nas entidades como nos hospitais e nas escolas, do que vir a puni-las caso cometam algum erro.

Educar Rubem Alves

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PEDAGOGIA DO AMOR


“Se eu não me criticar, se eu parar de ficar me questionado sobre o que deveria fazer, como vou melhorar, crescer como pessoa?” Para responder esta pergunta, analisaremos o que acontece com as crianças.A cada vez que se diz a uma criança: “Você não deveria (fazer ou sentir algo), é como se lhe fosse dito: “Se você for você mesma, ninguém vai gostar de você, pois você é muito má. Mas se você se esforçar e for diferente, então poderá encontrar pessoas que gostem de você”.
Isto é uma violência contra a criança, talvez comparável a um assassinato. Está-se dizendo à ela para eliminar aquele “eu” (que é ela mesma) e construir um novo em cima. E ela seguirá pela vida profundamente infeliz, tentando fabricar um “eu” que agrade às pessoas, ou então assumindo uma identidade que corresponda àquele monstro que um dia disseram que ela era, tornando-se uma pessoa de difícil convivência, ou até mesmo um delinqüente.
Há muitas pessoas que optaram pelo caminho da marginalidade porque não conseguiram construir aquele “eu” que agradaria às pessoas. Talvez ninguém as odeie mais do que elas mesmas. Foi em virtude de muitos DEVERIAS, aos quais elas não conseguiram corresponder, que elas chegaram aonde estão. Elas se sentem tão em débito com esses deverias que é como se imaginassem uma dívida que jamais conseguirão saldar, pois a cada dia ela aumenta – a cada dia elas acrescentam algo que deveriam/não deveriam ter feito.
Uma outra maneira de educar as crianças é através do que chamarei de Pedagogia do Amor. E do amor incondicional. Aquele que não espera que o outro mude para começar a amá-lo. Aquele que não diz que a criança deveria ser diferente, mas que valoriza todos os seus sentimentos, comportamentos, iniciativas. Aquele amor que não tem a intenção de ter nenhum tipo de controle sobre a criança, que não quer manipular suas reações e comportamentos e moldá-los de acordo com um padrão, ou de acordo com um objetivo que não foi traçado por ela.
Aquele amor que permite que ela simplesmente SEJA ELA MESMA. Que “deixa o rio correr”, sem apressá-lo. Que acompanha o fluir livre e leve da criança. Que jamais diz que ela não deveria sentir raiva de alguém, mas que procura compreender seus sentimentos e ensiná-la que quando não se luta contra os mesmos, eles passam por nós bem mais depressa.
Deixar o rio correr… Sempre…Ensiná-la a reconhecer que todo comportamento tem uma intenção positiva. Se ela aprender a reconhecer isto em si mesma, terá muito mais facilidade em reconhecê-lo nos outros. Se ela aprender a ser compreensiva e paciente consigo mesma, também o será com as demais pessoas.
Se ela está sentindo inveja de alguém, ajudá-la a reconhecer que provavelmente ela tem dentro de si uma parte (um “lado”) que acredita que ela também merece ser como aquela pessoa, ou ter o que ela tem, e que não há nada de errado nisso. Se ela está com raiva de alguém que brigou com ela, talvez seja porque possui uma parte que acha que ela merecia ser tratada de uma maneira melhor. E assim por diante. Não é difícil saber a intenção positiva de nossas partes internas e aprender a valorizá-las.
Ajudá-la a confiar em seus sentimentos, sensações, intuições, em seu julgamento interno, em sua voz interior, na “voz do seu coração”. Ao invés de ficar lhe dizendo o que deveria fazer, perguntar-lhe : “O que você acha disso?” “O que você sente em relação a isso?” Ajudá-la a formar seus próprios valores incentivando a reflexão, fazendo-lhe perguntas que ajudem-na a confiar em sua sabedoria interna. Esta é a maior herança que os pais podem deixar aos filhos, já que pais não são eternos.Mas talvez você, leitor, esteja dizendo: “Ótimo, entendi o que você disse em relação às crianças. Mas o que eu faço comigo? Com os meus DEVERIAS?”
Sugiro que você imagine uma criança bem pequena, indefesa, que estivesse sofrendo em virtude dos mesmos DEVERIAS que você, que estivesse passando por dificuldades semelhantes às suas. O que você faria com esta criança? O que você diria a ela? Você diria a ela novos DEVERIAS? Você seria tão severo com ela como provavelmente é consigo? Você a ameaçaria? Você diria a ela algo como: “Se você não emagrecer, eu não levo você à praia”?
Acredito que você gostaria de conversar com ela, de tratá-la com carinho, compreensão, talvez de tomá-la nos braços, abraçá-la, confortá-la, dizendo-lhe coisas animadoras.
Geralmente, por mais severos que tenham sido nossos pais, a tendência é que sejamos mais severos conosco do que eles o foram, e um pouco mais compreensivos e benevolentes em relação aos filhos.
Por este motivo, sugiro que você faça com você o que faria com a criança que citei acima. Releia o texto e empregue as sugestões consigo mesmo. Imagine que dentro de você há uma criança e que você terá de cuidar dela pelo resto de sua vida. Você escolhe: ou você vai ser um repressor que controla, critica, diz DEVERIA a toda hora, ou você vai procurar fazê-la feliz, diverti-la, amá-la.
Só conseguimos amar, entender, aceitar as outras pessoas quando somos capazes de fazer tudo isso conosco. Quem não consegue aceitar o comportamento de alguém, quem não consegue gostar de alguém, certamente descobrirá que não consegue aceitar a si mesmo, talvez até não aceite em si aquele mesmo comportamento que não aceita no outro.É um fato que você poderá constatar: quando paramos de lutar CONTRA nós, contra nossos sentimentos, desejos, quando passamos a ser A FAVOR de nós mesmos, o mundo responde da mesma maneira. A sua vida é o reflexo daquilo que acontece dentro de você. Se você não gosta de si mesmo, se você não se aprova, não se trata com carinho e respeito, não espere que os outros o façam. É o que se chama de AUTO-ESTIMA.Para isso, você poderá começar a aprender a substituir o DEVERIA pelo EU PREFIRO, EU ESCOLHO, EU APRECIO, EU ME PERMITO.


Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolingüística (PNL).

sábado, 12 de setembro de 2009

Cibercultura


“Não há um livro de papel de verdade para abrir, apenas uma sucessão de duas imagens controlada por um dispositivo interativo (...) na página à esquerda há a imagem de uma bela maçã vermelha em trompe d’oeil (...) a maçã encontra-se cortada na página seguinte, sendo progressivamente consumida à medida que a ‘leitura’ continua (...) A cada vez que as páginas são viradas, ouve-se claramente o som de uma mandíbula que se fecha sobre um pedaço de maçã (...). Comer a maçã surge como uma metáfora para ‘ler um livro’” (Relato de Lévy sobre Beyond Pages, de Masaki Fujihata, em Cibercultura, p. 77)
O desenvolvimento das tecnologias digitais e a profusão das redes interativas, quer queira ou não, colocam a humanidade diante de um caminho sem volta: já não somos como antes. As práticas, atitudes, modos de pensamento e valores estão, cada vez mais, sendo condicionados pelo novo espaço de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores: o ciberespaço.
Esse é ponto de partida de Pierre Lévy para estudar as implicações culturais engendradas pelas novas tecnologias de comunicação e informação. Cibercultura, lançado em 1999 no Brasil, é resultado de relatório encomendado pelo Conselho Europeu, dentro do projeto “Novas tecnologias: cooperação cultural e comunicação”.
Cibercultura? Mas, o que é isso? “Não é a cultura dos fanáticos da Internet, é uma transformação profunda da noção mesma de cultura” – apressa-se em explicar Lévy, em entrevista à @rchipress (1). Como tal, reflete a “universalidade sem totalidade”, algo novo se comparado aos tempos da oralidade primária e da escrita. É universal porque promove a interconexão generalizada, mas comporta a diversidade de sentidos, dissolvendo a totalidade. Em outras palavras: a interconexão mundial de computadores forma a grande rede, mas cada nó dela é fonte de heterogeneidade e diversidade de assuntos, abordagens e discussões, em permanente renovação.
Que não espere o leitor encontrar alentado debate sobre pedofilia, cibersexo ou estímulo ao terrorismo na Internet. Esses assuntos não ocupam mais do que poucas linhas, concentradas justamente na parte em que o autor, abordando a diversidade de pontos de vista sobre o ciberespaço, atribui à mídia o papel de alimentar o sensacionalismo às custas da Net.